Infarto do miocárdio (ataque cardíaco): Prevenção , tratamento e gravidade

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Prevenção (dez mandamentos): 

– Pare de fumar. Se você é fumante , parar de fumar diminui muito o  risco de ocorrer um infarto do miocárdio (ataque cardíaco). Este risco diminui 50% em dois anos , podendo tornar-se  igual ao de alguém que nunca fumou em 7 a 12 anos. O estudo INTERHEART (estudo sobre a importância dos fatores de risco no infarto do miocárdio) demonstrou que nos fumantes , o risco relativo de um infarto dobra a partir de 5 a 10 cigarros por dia . Este risco aumenta em até oito vezes , nos indivíduos que fumam cerca de duas carteiras por dia (40 cigarros). Leia as páginas sobre como parar de fumar.

– Faça exercícios físcos regularmente.Recomenda-se a realização de exercícios físicos aeróbicos (andar , correr , pedalar , dançar , nadar e fazer hidroginástica), pelo menos 3 vezes por semana  (5 a 7 vezes para os indivíduos que precisam perder peso) , por no mínimo 30 minutos ,  com uma intensidade moderada (ao fazer o exercício você fica um pouco ofegante , mas consegue falar frases inteiras) . As atividades físicas do dia-a-dia (exemplo: caminhar por 15 minutos para ir ao trabalho e mais 15 minutos para voltar do trabalho) , também trazem resultados positivos .

– Alimente-se de uma forma saudável.Procure  ingerir   um   quantidade de calorias   diárias , que    lhe   ajude a atingir um peso adequado .  O estudo  INTERHEART demonstrou que a ingesta diária de frutas , verduras e legumes, ajuda a prevenir  um infarto do miocárdio  . Limite a ingesta de sal em menos de  seis gramas ao dia (cerca de seis colheres rasas de chá de sal , ou seja , 4 colheres rasas de chá de sal para o preparo dos alimentos  , mais  duas colheres de sal próprio dos alimentos).  Evite os alimentos ricos em colesterol (ingira menos de 300mg de colesterol ao dia) , os quais são exclusivamente  de origem animal (derivados do leite com alto teor de gordura , gordura aparente das carnes , gema dos ovos , pele das aves , miúdos , embutidos e certos  frutos do mar).

Evite também as gorduras saturadas (frituras)  e as gorduras trans ou hidrogenadas , as quais são encontradas em alguns produtos industrializados como molhos , sorvetes , bolos e certos biscoitos  . Procure ingerir peixe , principalmente os ricos em ácidos graxos omega 3 (sardinha , truta , salmão  e bacalhau), pelo menos duas vezes por semana. Os fitoesteróis são substâncias antioxidantes de origem vegetal que podem ser encontradas em margarinas enriquecidas , que são uma ótima opção para substituir a manteiga ou as margarinas com gorduras hidrogenadas. Procure ingerir alimentos ricos em fibras  (cereias  , frutas , verduras e legumes). Derivados da soja , grão integrais , nozes , assim como outros alimentos , apresentam efeitos comprovadamente benéficos sobre as gorduras do sangue e a aterosclerose (leia as páginas sobre alimentos funcionais). 

– Procure ingerir bebidas alcoólicas moderadamente. A ingesta regular de bebidas alcoólicas , como o vinho tinto , não deve ser estimulada com o objetivo de prevenir um infarto do miocárdio  . Se você é homem  e costuma beber , procure restringir a ingesta de álcool  em 30 gramas de etanol por dia (720 ml de cerveja = 2 latas de 350 ml  ou 300 ml de vinho = 2 taças de 150 ml ou 100 ml de destilado = 3 doses de 30 ml) . Se você é mulher , essa ingesta deverá ser de 15 gramas de etanol , ou seja, 50% da quantidade permitida para homens. Lembre-se: o álcool é calórico , pode aumentar os níveis de açúcar , ácido úrico e triglicerídeos , além de  poder causar dependência física e psíquica ( alcoolismo ).

– Persiga o seu  peso ideal. Um índice de massa corporal (IMC = peso dividido pela altura ao quadrado) inferior a 25 kg/m2  e uma circunferência abdominal inferior a 94 cm nos homens e 80 cm nas mulheres , são as metas a serem obtidas  quando o assunto é peso e medidas. Para uma perda de peso , uma dieta hipocalórica e a prática diária  de exercícios físicos , são fundamentais. A utilização de medicamentos poderá ser útil. A cirurgia bariátrica pode ser indicada para casos selecionados .

– Não deixe de ir em consultas médicas periódicas.Consulte regularmente seu (s) médico (s) de confiança. Retorne ao consultório para as reavaliações clínicas dentro do tempo estipulado por seu médico. 

– Realize todos os exames complementares solicitados pelo seu médico.O resultado destes exames serão fundamentais para avaliação do seu quadro clínico e , conseqüentemente , para a definição de um plano de prevenção e tratamento adequado para você.              

– Não deixe de usar  as suas medicações de uso contínuo. Para o combate dos fatores de risco para o infarto do miocárdio ( , como a hipertensão arterial , as dislipidemias , o diabete melito , a obesidade  , o  hábito de fumar , entre outros  , poderá ser necessária a utilização de medicamentos . A  maioria destas drogas serão de uso contínuo e indefinido. Use as medicações prescritas por seu médico regularmente. Não pare de usá-las  sem a sua permissão.Evite trocas no balcão das farmácias.

– Combata  o  estresse e a depressão. Se você está estressado  ou até depressivo   , procure o seu médico de confiança. Estas duas situações aumentam o seu risco de você sofrer de um infarto do miocárdio . Provavelmete será necessária a avaliação de um profissional especializado na área , como um psiquiatra ou psicólogo. Exercícos físicos , técnicas de relaxamento , psicoterapia e o uso de medicamentos , poderão ser necessários.

– Dedique pelo menos um dia da semana totalmente voltado para você  e  o  convívio junto de  seus familiares. Permaneça a maior parte do tempo possível junto das pessoas que você ama. Procure viver em paz e harmonia com o mundo que está em sua volta .

Tratamento:

O paciente com suspeita de infarto do miocárdio  deverá ser internado imediatamente em unidade de terapia intensiva, visando monitorar seus dados vitais, oxigenação e traçado eletrocardiográfico (leia a página sobre o quê são as unidades de dor torácica?). A primeira medicação a ser administrada é o ácido acetil salicílico (aspirina). O clopidogrel, outra droga que inibe a agregação das plaquetas no sangue, também deverá ser administrada. A nitroglicerina ou nitratos (vasodilatadores) são usados para o combate da dor, no entanto, o uso de morfina (analgésico potente) poderá ser necessário.

Conforme o traçado do eletrocardiograma, o médico assistente poderá suspeitar que a artéria causadora do infarto do miocárdio   esteja obstruída parcialmente ou totalmente (infarto do miocárdio  sem e com supradesnível do segmento ST no eletrocardiograma), No primeiro caso, não será necessário a realização de um cateterismo cardíaco e cineangiocoronariografia de emergência, pois nestes casos o tratamento inicial será com medicações para tentar dissolver o coágulo (trombo) , formado na artéria. No segundo caso, será necessário utilizar uma opção de tratamento que possibilite abrir a  artéria  totalmente obstruída o mais rápido possível, desta forma, minimizando a área cardíaca afetada pelo  infarto do miocárdio .

Para tal, dispomos de duas modalidade de tratamento: os trombolíticos (administrados de forma injetável através de uma veia no braço) ou a angioplastia coronariana (introdução de um cateter provido de uma balão em sua extremidade, até o local obstruído, permitindo assim, o restabelecimento do fluxo de sangue ).

Os betabloqueadores (medicamentos que diminuem o batimento cardíaco), os inibidores da enzima de conversão ( vasodilatadores ) e as vastatinas (drogas redutoras de colesterol) , também costumam ser prescritos para a maioria dos pacientes . O  tratamento cirúrgico do infarto do miocárdio   está reservado para os casos aonde ocorrem as complicações mecânicas citadas acima ( nestes casos a cirurgia costuma ser de emergência ) ou para realização de uma revascularização miocárdica , chamada de bypass ou cirurgia de ponte de safena , geralmente 7 a 10 dias após o diagnóstico de  infarto do miocárdio  .

A  revascularização miocárdica está indicada em pacientes com lesão do tronco da artéria coronária esquerda,  certos casos aonde ocorre insucesso da angioplastia coronariana, certos casos de infarto do miocárdio    com choque cardiogênico (falência cardíaca associada a redução da pressão arterial) e em pacientes multiarteriais (comprometimento por placas de gordura em várias artérias).

Gravidade:

O risco de morte durante o período de internação em um paciente que sofreu um infarto do miocárdio , poderá ser estimado analisando-se as seguintes variáveis: idade avançada,  baixo peso, antecedentes de hipertensão arterial, angina do peito  ou diabete melito,  redução da pressão arterial sistólica ou máxima (inferior a 100 mmHg), aumento do batimento cardíaco  (superior a 100 por minuto), sinais de diminuição da força de contração do coração  (deficiência de bombeamento do sangue), certas alterações do eletrocardiograma  e retardo no início da terapia de reperfusão (angioplastia coronariana ou uso de trombolítico , iniciados após  4 horas do surgimento do quadro de infarto do miocárdio).

Levando em conta a presença destas variáveis, o paciente poderá ser classificado quanto ao seu  risco de morte: baixo risco (menos de 2%) , médio risco (cerca de 10%) ou alto risco (mais que 20%) de morte, no período de internação hospitalar. A presença de complicações do infarto do miocárdio , como a insuficiência cardíaca ( coração fraco ) e, outras , podem agravar substancialmente o quadro. 

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