Mais um bom motivo para você não exagerar nos pães e massas

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Um grande estudo populacional, realizado por pesquisadores canadenses, avaliou a associação da ingestão dos macronutrientes (gorduras saturadas e insaturadas, proteínas e carboidratos) e o risco de morte geral, além de complicações cardiovasculares.

Uma das principais conclusões do estudo é que entre as populações que ingeriam mais de 60% do total de calorias diárias provenientes de alimentos à base de carboidratos, apresentavam uma maior mortalidade geral.

O estude PURE avaliou cerca de 135.335 pessoas com idades entre 35 e 70 anos. Estes indivíduos eram provenientes de dezoito países diferentes de cinco continentes, incluindo alguns em desenvolvimento (Argentina, Brasil e Índia, por exemplo) e outros desenvolvidos (Canadá, Estados Unidos e Suécia, por exemplo).

As informações alimentares eram obtidas através de questionários específicos. Vários outros dados eram coletados para poder depois ajustar os resultados obtidos: renda pessoal e/ou familiar, escolaridade, uso de medicamentos, consumo de álcool, histórico de tabagismo, medidas corporais (altura, peso, circunferência abdominal, entre outros).

O participantes do estudo eram avaliados cada 3 anos (3, 6 e 9 anos após o início do estudo), por meio de questionares alimentares específicos.

O desfecho primário do estudo era avaliar o risco de mortalidade geral e complicações cardiovasculares (morte de causa cardiovascular, infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral ou insuficiência cardíaca). Os participantes eram seguidos anualmente por contato telefônico ou por meio de consulta. O seguimento médio dos indivíduos foi de 7,4 anos.

Os autores concluíram que houve uma diminuição da mortalidade total quando as populações com maior consumo de gordura (incluindo gorduras saturadas, monoinsaturadas e poli-insaturadas) eram comparadas com aquelas de menor consumo. O mesmo foi visto com o consumo de proteínas. Já em relação aos carboidratos, foi observada relação inversa (maior consumo de carboidrato relacionou-se com maior mortalidade geral), quando a ingestão de carboidratos ultrapassava 60% do total de calorias ingeridas diariamente.

A diminuição de mortalidade correlacionou-se basicamente com redução de causas não cardiovasculares. Curiosamente, o único componente que associou-se com redução de algum desfecho cardiovascular foi o consumo aumentado de gorduras saturadas, o qual esteve associado a menor risco de derrame cerebral.

Os pesquisadores avaliaram a influência da substituição de uma parte do consumo calórico de carboidratos para outro componente. Substituir 5% de calorias de provenientes de carboidratos pelos mesmos 5% de calorias de gorduras poli-insaturadas (peixes, como atum e sardinha, por exemplo) a mortalidade geral poderia ser reduzida em 11%. O mesmo não foi observado ao se fazer esta substituição por gordura saturada, monoinsaturada ou por proteína. O consumo de carboidratos foi maior na China, no sul da Ásia e na África, em comparação com outras regiões.

Em resumo, a principal fonte de calorias diárias são os carboidratos. Esse estudo sugere que as pessoas devam limitar a ingestão de carboidratos em 50% do total das calorias ingeridas diariamente (não parece haver benefício abaixo desse percentual), dando prioridade aos cereais integrais (arroz integral, pão escuro, etc.), verduras, legumes e frutas. A ingestão de doces, bebidas adoçadas, pães brancos, massas, bolos, entre outros carboidratos menos saudáveis, devem ser limitada.

Fonte: Lancet.

Autor: Dr. Tufi Dippe Jr – Cardiologista de Curitiba – CRM/PR 13700.

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