Quais cardiopatas devem usar antibióticos antes de procedimentos odontológicos?

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Senior man at the dentist

A endocardite infecciosa é uma doença grave e incomum, que afeta 3 a 10 pessoas para cada 100.000 habitantes. A doença caracteriza-se pela infecção do endocárdio (revestimento interno do coração) e das válvulas cardíacas, como a válvula mitral ou aórtica. A doença é mais comum em homens.

A endocardite infecciosa geralmente é causada por bactérias e, mais raramente, por fungos ou outros microrganismos que invadem a corrente sanguínea (bacteremia), ou ainda, por germes que contaminam diretamente o coração durante uma cirurgia cardíaca.

Certos procedimentos odontológicos cursam com bacteremia, aumentando o risco de endocardite infecciosa em indivíduos predispostos.

Um achado típico da doença é o surgimento de vegetações nas válvulas cardíacas (acúmulo de bactérias, células inflamatórias e coágulos sanguíneos), as quais podem se desprender do coração em direção a órgãos vitais, obstruindo o fluxo sanguíneo dos mesmos, processo chamado de  embolização arterial. Essas obstruções são graves, e podem causar um derrame cerebral ou até um infarto do miocárdio (ataque cardíaco).

A endocardite infecciosa poderá ocorrer subitamente, causando insuficiência cardíaca (falência cardíaca), sendo potencialmente fatal em questões de dias (endocardite infecciosa aguda fulminante).

A doença ainda poderá evoluir de uma forma gradual, ao longo de um período de semanas ou até meses (endocardite infecciosa subaguda), geralmente causando febre e perda de peso. A presença de um sopro cardíaco durante o exame físico desses pacientes é um achado que ajuda no diagnóstico da doença.

Prevenção da endocardite infecciosa por meio do uso de antibióticos

Durante procedimentos odontológicos, principalmente aqueles que envolvem a manipulação da gengiva, ocorre uma passagem de bactérias para a corrente sanguínea (bacteremia). Embora não seja comum, esses microrganismos poderão causar uma endocardite infecciosa em indivíduos predispostos.

Como uma medida preventiva para o surgimento da endocardite infecciosa, os indivíduos com antecedentes prévios de endocardite infecciosaportadores de válvulas artificiais (exemplo: portadores de prótese biológica, prótese metálica ou bioprótese aórtica transcateter, conhecida como TAVI), ou ainda, aqueles com certos defeitos congênitos (cardiopatias congênitas cianóticas ou cardiopatias congênitas corrigidas com material artificial) deverão ser tratadas com antibióticos cerca de duas horas antes de certos procedimentos odontológicos.

É por essa razão que os dentistas e médicos precisam saber se seus pacientes apresentam um dessas condições acima que predispõem ao aparecimento da endocardite infecciosa.

Embora  o risco de endocardite infecciosa após estes procedimentos odontológicos seja pequeno, as consequências desta doença são muito graves. Por essa razão, quase todos os dentistas e médicos acreditam que a administração de antibióticos antes desses procedimentos é uma precaução justificável em certos pacientes.

Fonte: Sociedade Europeia de Cardiologia.

Autor: Dr. Tufi Dippe Jr – Cardiologista de Curitiba – CRM/PR 13700.

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