Estudo mostra que em diabéticos , controlar os níveis de glicemia , não é o suficente para evitar complicações

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Pacientes diabéticos apresentam alto risco de desenvolverem uma doença cardiovascular. Cerca de 65% dos diabéticos morrem por causa das doenças cardiovasculares, enquanto que na população brasileira , em geral , estas doenças são responsáveis por cerca de 30 a 35% do total dos óbitos.Estudos prévios , demonstraram que indivíduos com diabetes tipo II , apresentam um risco de duas a quatro vezes maior , de morte por doença arterial coronariana e acidente vascular  ( derrame cerebral ) , quando comparados aos indivíuduos não-diabéticos.

As complicações vasculares que surgem em diabéticos do tipo II , podem ser divididas em dois tipos : microvasculares ( afetam pequenos vasos , levando ao comprometimento da retina dos olhos e  dos rins ) ou macrovasculares ( afetam artérias maiores , por placas de gordura ou ateromas , levando ao infarto do miocárdio , insuficiência cardíaca , derrame cerebral , aneurismas , entre outras doenças ). Um estudo , publicado  já 10 anos , mostrou que pacientes diabéticos apresentaram um risco de infarto  do miocárdio  semelhante ao de indivíduos não diabéticos , porém com infarto do miocárdio prévio.

Um recente estudo , chamado de  ADVANCE ( Action in Diabetes and Vascular Disease: Preterax and Diamicron Modified Release Controlled Evaluation) foi elaborado para avaliar o potencial de redução das doenças cardiovasculares , com um controle rigoroso da glicemia . Nestes estudo , foram incluídos 11.140 pacientes diabéticos . Os pacientes foram divididos em dois grupos : controle rigoso da glicemia versus controle convencional . O objetivo era reduzir a hemoglobina glicosilada ( exame que avalia o controle do diabete nos últimos meses ) para valores de 6,5% e 7,5% , respectivamente , no grupo rigoroso e convencional .

Após um acompanhamento  médio de 5 anos, a hemoglobina glicosilada média no grupo de tratamento rigoroso atingiu a meta proposta de 6,5%, enquanto no grupo de tratamento convencional ficou em 7,3%. O uso de outras drogas como antihipertensivos, redutores de colesterol e antiplaquetários ,  foi semelhante em ambos os grupos durante o seguimento.

Os resultados mostraram uma redução das complicações microvasculares , principalmente às custas de uma redução de 21% do risco de doença renal , sem efeitos significativos no comprometimento da retina dos olhos ( retinopatia ). Não houve diferença , entre os dois grupos , em relação à incidência de doenças macrovasculares ( como infarto e derrame cerebral ) e nem de morte de qualquer causa.

Os resultados do estudo ADVANCE não podem ser interpretados isoladamente. Observou-se que em ambos os grupos ( tratamento rigoroso e convencional do diabete melito ) , outras medicações , sabidamente efetivas em evitar complicações cardiovasculares em diabéticos , como a aspirina , drogas redutoras de colesterol e anti-hipertensivos , não foram usadas adequadamente. 

A principal conclusão do estudo , é que as complicações vasculares do diabete , principalmente as macrovasculares ( causadoras do infarto do miocárdio e derrame cerebral ) , dependem de muitos outros fatores , além do controle da glicemia. Nos pacientes diabéticos , para evitarmos essas complicações , serão necessárias mudanças no estilo de vida ( alientação , exercícios , perda de peso e abandono do cigarro ) e o uso de várias medicações em conjunto , para um adequado controle de outros fatores de risco , como a hipertensão arterial e as anormalidades do colesterol.

Fonte: New Eng J Med ( 2008 ).

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